terça-feira, 24 de agosto de 2010

Solitude

Coisa boa é cultivar o silêncio, se proteger dos perigos e mesmo calado se sentir preenchido.
Tenho gostado demais de ficar só nos últimos tempos, logo eu que fui sempre cercado de gente ao meu redor. Ser sozinho e não carregar consigo a aura de alguém que está de mal com a vida é maravilhoso, e muito pelo contrário estou é de bem com a vida que tenho, gostando cada vez mais de mim, num narcisismo comportado. Me orgulho do homem que me torno a cada dia, respeitador dos meus próprios princípios, cultivador incessante de metas que se estendem até um tempo longínquo que espero chegar, meus sonhos ganham força e se agigantam nas minhas loucas previsões de vida, acho que refletir sobre os caminhos que sigo e pensar num amanhã melhor, tem sido uma constante na minha vida. Não quero bancar o anti-social que se fecha para as pessoas, mas esse momento é prazeroso demais.
Solitude é pra mim em todo o seu aspecto uma das mais belas palavras da língua portuguesa.
É como nas fábulas e mitos gregos que nos dizem que no templo de Apolo, em Delfos, toda gente buscava as previsões sobre a vida futura, sobre os presságios, e perguntavam também as sacerdotisas do Templo coisas a respeito do mistério da vida e das dúvidas mais inquietantes, e então, sob o vapor cheio de gás vindo das profundezas da Terra, as sacerdotisas diziam coisas incompreensíveis que logo eram traduzidas pelos sábios gregos que vivam no Templo e as respostas eram então entregues àqueles que consultavam. Guerras, conflitos e disputas eram constantemente decididas não pelas armas, mas sim pelas respostas dos sábios, nos diz os livros históricos, porém, uma informação muito importante ao meu ver não era levada tão a sério pelo povo que ali fazia a adoração a Apolo, numa placa na entrada do Templo estava escrita então uma frase que tomada com atenção pode ser a resposta pra inúmeras perguntas, "Nosce te ipsum" que traduzimos para o português como "Conhece-te a ti mesmo".
Sócrates tempos depois responderia a mesma sentença com outra célebre frase: Só sei que nada sei.
E com isso, deixo aqui o meu registro de que na solitude talvez esteja eu me redescobrindo, me observando e tentando me conhecer pra entender do outro, entender do mundo, posso até um dia obter a conclusão que não sei de nada quando não sei de mim.

#Doce Solidão - Marcelo Camelo

2 comentários:

Jân Bispo disse...

Bela reflexão, a verdade ao menos para mim, é que a solidão nos ensina a nos conhecer, a nos suportar, a nos aturar do jeito real que somos, afinal quando estamos sós não existe a conduta e norma de boa vizinhaça, somos o que somos pura e simplesmente, e quando gostamos disso, é por que gostamos de nós mesmo, e se assim é com toda certeza somos pessoas sociaveis e boas de se conviver, acho que agente sabe muita coisa, mas essa muita coisa não vale quase nada, no final das contas deixemos assim sabendo que nada sabemos! rs... Solitude é uma linda palavra e vc refletiu sobre ela de maneira explendida. esteja bem sempre, sozinho ou acompanhado, dê sempre o melhor de vc mesmo! abraço! sucessoooo... rs

Nu ! disse...

Gosto de ficar sozinha, mas aqui em casa é dificil... só se for pra me esconder no quarto e minutos depois quererem arrombar a porta pra ver o que u to fazendo..

Enfim... quando fico sozinha penso em muita bobagem, me coloco pra baixo. Mas sinto depois um bem estar enorme, como se primeiro eu tivesse que perceber como é absurdo tudo que eu penso pra depois me dar conta de como eu sou. Sem deprê.