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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Nove

(Nove - Ana Carolina - 2010)

Eu essa semana fiquei meio adoentado, então por isso não tenho me dedicado tanto a escrever como nos dias normais, o que por um lado foi também positivo porque parei pra ouvir discos que ainda não havia ouvido.
Sempre tive uma certa reserva em relação ao trabalho da Ana Carolina, botava defeitos e arrumava desculpas pra não me apegar a composição tão bacana que ela vem empreendendo nos últimos anos.
Esse último disco me deixou realmente sem ter motivos pra criticá-la, achei um excelente álbum pra ser ouvido, agradou-me demais a audição do disco 'Nove', nove canções únicas, todas com doses de amor em suas letras.
Gostei demais.
Não tenho o compromisso crítico musical nem nada que pareça, embora o disco realmente seja impecável musicalmente, primeiro porque acho que a crítica musical muitas das vezes é feita por quem não obteve êxito na vida como músico ou cantor, repara pra ver, e segundo porque quem acompanha o que eu escrevo sabe que mais elogio que critíco, essa coluna é apenas uma forma de narrar o que sinto através das canções, meu blog é essencialmente musical, mas não tem a vaidade de querer julgar a música alheia.
Eu recomendo esse disco com o carinho de alguém que um dia jogou pedra e se arrependeu, e se curvou diante do talento de uma das mais completas cantoras do Brasil. Vai fazer parte do meu playlist por muito tempo as músicas desse disco.
Comprem, Ouçam, Baixem!

#Resta - Ana Carolina feat. Chiara Chivello

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Com Você... Meu Mundo Ficaria Completo

(Com Você... Meu Mundo Ficaria Completo - Cássia Eller - 1999)

Cássia Eller foi uma das mais fantásticas artistas do anos 90, a cantora que veio de uma carreira de sucesso entre os jovens desde cedo, teve nessa década seu auge, sua explosão musical, com seu jeito ousado, irreverente e brilhante.
Esse álbum de estúdio seria o último da sua carreira que terminou tão cedo, é repleto de belas canções, uma prova eterna do talento dessa cantora tão revolucionária, com o sorriso cativante e uma rebeldia dançante, Cássia nos dá uma das mais memoráveis músicas do fim da década.
Cássia Eller que comporia várias canções, se destacou também na interpretações de clássicos eternos juvenis, músicas de Nando Reis, Renato Russo e Cartola estavam sempre presentes nas suas apresentações marcantes.
Esse disco é um marco pra mim como fã, pois foi apartir desse disco que comecei a enxergar todo o potencial da Cássia, antes ouvia sem muita atenção apesar da admiração, adorava a sua maneira agressiva de cantar e expor todo seu sentimento.
Ouvi o disco com a certeza de estar diante de algo que me acompanharia por muito tempo, porque é impossível não se prender na voz rouca dessa carioca, que canta rock no balanço do samba.
Cássia Eller foi uma das cantoras que mais me fizeram me encantar com a capacidade de emocionar que tem as pessoas. Sua música está impregnada em cada jovem que viveu intensamente os anos 90.

#Palavras ao Vento - Cássia Eller

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

nadadenovo

(Nadadenovo - Mombojó - 2004)

Mombojó é uma banda incrível, herdeira do bom gosto musical dos Los Hermanos, talvez seja hoje a mais grata surpresa do rock nacional.
Uma banda que surgiu no Recife em Pernambuco nos mostra o quanto o manguebit de Chico Science influenciou uma geração de jovens.
Gosto da maneira que são conduzida as músicas, bem trabalhadas e os pequenos excessos do disco é completamente aceitável, já que é o primeiro disco da banda, os posteriores são tão bons quanto esse.
A melodia é envolvente, e a Mombojó cala muita gente que sem saber critíca a atual música brasileira dizendo não haver mais letras bem trabalhadas e construídas sem muito zelo com versos simples, Mombojó é a exemplificação que o rock nacional é também um meio de expressar sentimentos.
Elementos de bossa nova, sons metálicos, guitarras afinadas e um cavaquinho pra lembrar o samba dá originalidade ao som.
Sou fã, e como todo fã adoro cada letra, cada canção.
A mombojó foi a primeira banda brasileira a disponibilizar em seu site oficial todos os discos pra download gratuito, então hoje minha dica se expande também ao site.
Baixem!

#Faaca - Mombojó

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O Grande Encontro

(O Grande Encontro - Zé Ramalho/Elba Ramalho/Alceu Valença/Geraldo Azevedo - 1996)

É com muito carinho que hoje recomendo esse álbum, 'O grande encontro' foi um marco na história da música brasileira.
Um álbum onde quatro grandes artistas apresentam músicas clássicas, todos eles em suas fases mais sólidas como músicos, se eternizando na música popular brasileira.
Ouvi o disco ainda menino, e me recordo que com poucos dias já sabia cantar todas as canções. É uma obra bárbara e memorável. Quem não ouviu que ouça.
Zé Ramalho, um arauto paraibano, com sua voz marcante lidera os quatro amigos nesse show lindo, no Canecão no Rio. Ele que tem fãs religiosos, carrega com sigo um pouco da aura mística e profética que Raul Seixas brilhantemente tanto teve em vida quanto em morte, Zé tem um pouco da energia e dos espólios do maluco beleza.
Elba Ramalho com sua afinação perfeita é uma referência quando assunto é música regionalista nordestina, tanto com o frevo quanto com o forró, musa da caatinga, herdeira de Luiz Gonzaga.
Alceu Valença é pura energia, magia, um gênio da música nordestina, taxista lunar. Me recordo com muita alegria do show que vi em Salvador, como conduzia bem uma platéia admirada por suas canções.
Já Geraldo Azevedo é a graça, é a suavidade e a beleza na voz, por muitos anos a música 'dia branco' ecoou no meu ouvido, e durante todo esse tempo foi na voz dele que imaginei histórias de amor.
É uma junção perfeita, apartir desse disco ainda existiram outros encontros, artistas de diversas áreas repetiram a forma perfeita.
É sem dúvidas um dos meus discos favoritos, e a vocês indico com todo o carinho.

#Coração Bobo - Alceu Valença & Zé Ramalho

terça-feira, 20 de julho de 2010

Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos

(Certa manhã acordei de sonhos intranquilos - Otto - 2009)

Na estante empoeira da velha biblioteca da minha antiga escola em Minas estava um livro, chamava-se Metamorfose, escrito por Franz Kafka.
Desde cedo aprendi que se tratava de um livro denso, metafórico e depressivo, havia também rumores de que vários suicídios foram cometidos depois da sua leitura. Minha professora o chamara de livro do vazio. Leitura indispensável pra quem gosta da boa literatura.
O livro conta a história de Gregor Samsa, um jovem questionador do mundo, mas não vou entrar em detalhe sobre ele, só o mencionei porqueo livro começa com a frase que dá título ao álbum.
"Certa manhã, Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos"...
Esse disco foi a mais grata surpresa do ano pra mim, ele é extremamente conceitual, então é bom que se ouça por inteiro, faixa a faixa, tentando capitar cada timbre. Tenho ouvido todos os dias, ele conta um pouco da transformação de pensamentos que passei nos últimos meses.
A cada canção é nítida uma evolução das histórias cantadas.
Otto faz um apanhado das mais belas referências da música regionalista pernambucana, e é perceptível a influência dos tempos em que ele fazia parte da banda Mundo Livre S/A. O maracatu está presente dando uma sonoridade incrível.
Otto inicia o disco com a música intitulada "Crua", já mostrando de cara um som harmônico e bom de se ouvir.
O álbum também conta com várias participações especiais, destaco Lirinha da banda Cordel do Fogo Encantado, e nos mostra uma salada temperada de musicalidade.
É um disco de amor antes de mais nada, incrivelmente viciante e indico a todos vocês.
E como toda metamorfose que se prese, a canção que finda com chave de ouro chama-se "Agora Sim", que é exatamente como me sinto. Tenho um apreço grande pelo disco, ele retrata meus sentimentos com precisão.

#Agora Sim - Otto

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Tropicália ou Panis et Circencis

(Tropicália ou Panis Et Circencis - Tropicalistas - 1968)


Difícil aqui tentar dizer o contexto histórico de quando a maioria dessas canções foram compostas, mas a Ditadura militar iniciada em 64 estava a pleno vapor, os atos antidemocráticos mais duros do regime tomavam forma e lutas pelo reestabelecimento de uma pátria livre do totalitarismo eram sendo assumidas pela juventude da época.
Uma parte desses jovens lançava o então movimento cultural, chamado Tropicália ou Tropicalismo, que pela influência de correntes artísticas nacionais e do mundo da cultura pop, experimentavam as primeiras notas musicais do rock, pintavam o concretismo, descobriam o Cinema Novo, cortavam com as poesias marginais a Literatura e teatralizavam o país com o Teatro do Oprimido.
É uma época digna de ser pesquisada por nós da nova geração, temos que beber dessa fonte tão rica de inspiração.
Essa compilação dos Tropicalistas não pode faltar no mp3 de quem quer ter uma discografia com o melhor da nossa música brasileira. Fica ai minha dica da semana.
Participam deste disco artistas como, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes, Tom Zé, Gal Costa, entre outros.

#Baby - Os Mutantes