terça-feira, 10 de agosto de 2010

Navegar é preciso

Desde quando resolvi relembrar as minhas histórias de infância descobri que a maioria das coisas que moldaram a forma deu enxergar o mundo se desenvolveu ainda menino.
Você já parou pra pensar qual foi o primeiro momento que você tomou ciência da sua própria existência? Daquele instante onde vulgarmente a gente chama de primeira lembrança?
Pois fantasia ou não, a minha primeira memória de vida foi numa viagem que minha mãe teria feito comigo a praia de Santos, no litoral paulista.
Eu devia ter por volta de três anos ou menos, não recordo agora, mas é a imagem mais viva que eu tenho de um tempo onde mal pronunciava as palavras por ser ainda tão novinho.
O simbolismo que ficou dessa data foi o espanto que me recordo ter tido do horizonte do mar, devia pensar que o mundo não tinha fim e se estendia até o infinito, era estranho pensar que em um momento meus olhos já não acompanhavam a linha do oceano lá longe.
Quis ir até o fim para conhecer os segredos do outro lado do mundo, navegar pelos mares pois via os navios no mar, pra mim eles levavam as pessoas ao paraíso, a areia da praia seria apenas um pequeno exemplo da beleza que teria lá, onde a água deixaria de ser salgada e voltaria a ser doce.
Sempre quis ir além, vivenciar experiências mágicas, aprender com as pessoas e de todo o mistério que é a vida.
Um único fim de semana que ficou marcado na minha trajetória por toda a vida, fazendo brotar em mim um curiosidade tremenda sobre as coisas mais simples.
As cidades mineiras tem por característica, pelo menos as do Sul, ser todas cercadas de montanhas, parecendo que os municípios tivessem sido previamente acomodados entre os rios e as montanhas, desenho meticuloso de Deus, e na minha cabeça de menino o mar estaria logo atrás dos montes, o que me fez um aventureiro irresponsavel ainda moleque, querendo achar as águas salgadas, estrelas no mar perdidas no chão, conchas e búzios.
Viria a ver o mar novamente anos depois, já na Bahia, com uma única idéia na cabeça. Rever o mar não bastaria, era preciso também navegá-lo. Conhecer do mundo.

#Essa mania (Rest la Maloya) - Mart'nália

4 comentários:

Jaci Magalhães disse...

Realmente, navegar é preciso.
Amo a forma como você escreve, sabia? Faz-me refletir demais...:)

digo'silveira disse...

O mar e seus segredos fascinam o homem desde a antiguidade. Os monstros marinhos que tinham o mar como moradia, não impediu que os navegadores do velho mundo se lançassem ás águas salgadas e desbravassem esse universo meticuloso. O mar sempre me fascinou, mesmo não tendo tantas oportunidades de prestigiá-lo, lembro-me que na casa de minha prima havia uma concha do mar, e era nela que eu encostava o meu ouvido na certeza de que ouviria as ondas se quebrando no banco de areia da praia. O mar me faz viajar...
Belo texto.

Jân Bispo disse...

Sua alma é desbravadora, foste pirata em outra vida? rsrsrs (besteiras a parte) sim, navegar é precisa, sempre, no marda vida, da alma, do coração... é que a vezes falta tempo ou seria coragem? rs, não importa vc está certo, naveguemos então daqui em diante.
linda reflexão.

Lany Cunha disse...

Navegando na realidade, na incerteza das coisas, na imaginação, talvez esse seja mais um de seus dons (além do de escrever). Momentos da nossa infância... Será o de descobrimento? ou onde possamos lembrar coisas lindas e inexplicáveis(que não saem da nossa memória)?. Muito bem observado no seu texto (criativo).